Nathalie Harb
Nathalie Harb é uma artista e designer multidisciplinar que vive entre Paris e Beirute, empenhada em repensar o espaço público na perspetiva dos utilizadores urbanos do dia-a-dia nas cidades afetadas por conflitos. O seu trabalho centra-se no bem-estar e na justiça espacial. Questiona as noções de lar, abrigo e agência através de diferentes formatos de prática, nomeadamente intervenções públicas, instalações e cenografias, em contextos urbanos e rurais na Europa, na América Latina e no Médio Oriente. Adotando uma abordagem colaborativa e horizontal, os projetos de Harb enfatizam os temas do espaço seguro e da equidade, com a autoria partilhada entre diversos colaboradores, incluindo músicos, consultores de acústica, especialistas em permacultura, consultores ambientais, investigadores e arquitetos.
As instalações de Nathalie exploram o potencial de intimidade e descanso na agitada paisagem urbana, introduzindo momentos de tranquilidade num ambiente que, de resto, é saturado. Os seus projetos visam criar espaços que promovam a conexão e a reflexão, e oferecer visões alternativas do espaço público que privilegiem a inclusão e o sentimento de pertença. O trabalho de Nathalie tem sido apresentado internacionalmente e apoiado por iniciativas como a Semana do Som da UNESCO, a Neighborhood Initiative da Universidade Americana de Beirute, a Bienal de Design de Londres, o Conselho Europeu de Investigação, a Semana de Design do Dubai, a Semana de Design de Beirute, o Festival de Arquitetura de Londres, Soncities e a Plataforma de Arte Temporária. Beneficiou também de várias residências, nomeadamente na ZKU Berlin, na Residência São João no Brasil e na Cité Internationale des Arts-Paris.

Durante os 23 dias de residência em Rijeka, irei refletir sobre a natureza fragmentada do tempo, revisitando o ano que passou em intervalos de 15 dias. Todos os dias, explorarei as imagens, os sons, as informações e as notícias que o moldaram. Com a ajuda de fotografias, gravações de som e registos de diário, criarei um vídeo ou uma colagem que destilará a essência de cada segmento, constituindo assim um arquivo pessoal de um ano marcado por temporalidades múltiplas e frequentemente conflituosas. O ano foi ao mesmo tempo distante e imediato, marcado pelo genocídio na Palestina, pela guerra no Líbano, pela liderança de Trump a reverter décadas de progresso e pela minha própria experiência com a doença. Vivendo fora do Líbano, numa cidade ocidental amplamente poupada da violência física da guerra, vi-me presa entre temporalidades pessoais e globais — o meu corpo a lidar simultaneamente com a violência que se desenrola na região e com os ciclos lentos e suspensos da doença e do tratamento. A dissonância cognitiva destas temporalidades que se sobrepõem — lidar com a perda, com o aumento da violência e com o fluxo avassalador de informação — moldou tanto a minha experiência do mundo como o processo de criação artística. Este mês em Rijeka oferece um espaço para abrandar e recuperar o tempo perdido — como a sensação de avançar no mundo a um ritmo que ultrapassa o da alma. É um momento para alinhar o corpo e a mente, para estar presente no dia tal como ele é.
Rijeka, situada no ponto onde o rio Rječina desagua no mar Adriático, oferece um cenário adequado para esta reflexão. Ela faz eco do diário multidimensional que criei durante a minha primeira colaboração com a Art Explora, a convite da fundadora da Temporary Art Platform, Amanda Abi Khalil, onde explorei o diálogo entre a terra, o mar e o rio como símbolos de viagens pessoais e coletivas. Os ritmos de Rijeka ressoam com este processo de reflexão em curso, enquanto enfrento as camadas mutáveis das crises pessoais, coletivas e políticas, e exploro a forma como o trauma, a sobrevivência e a criação tomam forma em resposta à natureza fragmentada do tempo.
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