

Conferência «Tornar visível o invisível»: quando um minúsculo crustáceo revela os segredos da poluição por plástico
Os microplásticos estão por todo o lado. Invisíveis a olho nu, circulam dos rios até ao mar, acumulam-se nos estuários e infiltram-se no coração dos seres vivos. Mas como revelar aquilo que não vemos? Esta conferência propõe uma viagem à escala do infinitamente pequeno, ao encontro de um aliado surpreendente da investigação: o Eurytemora affinis, um minúsculo crustáceo com apenas um milímetro. Verdadeira sentinela dos estuários, permite aos cientistas decifrar os efeitos dos micro e nanoplásticos nos ecossistemas antes mesmo de as consequências se tornarem visíveis.
Datas e horários
Quarta-feira, 7 de outubro, das 17h30 às 18h00
Endereço
Cais de Marselha, Baía do Eure
Ao longo do estuário do Sena, esta exploração convida-nos a olhar de forma diferente para este território situado entre a terra e o mar, um verdadeiro ponto de encontro da biodiversidade, mas também da poluição. Revela como o invisível — desde as partículas de plástico até às respostas biológicas dos organismos — já está a moldar o mundo vivo.
Entre a ciência e o ambiente, este encontro irá demonstrar que compreender o infinitamente pequeno se tornou essencial para preservar o imensamente vivo.
Resumo do projeto de investigação em curso: PLASTICOP
A poluição por plástico é, atualmente, um dos principais desafios ambientais. Embora os resíduos visíveis nas praias ou a flutuar na superfície dos oceanos chamem a atenção, grande parte desta poluição é invisível: os microplásticos e os nanoplásticos. Resultantes da degradação de objetos de plástico, estas minúsculas partículas dispersam-se por todos os compartimentos do ambiente, nomeadamente nos estuários, essas zonas de transição entre os rios e o mar.
O projeto de investigação PLASTICOP centra-se, em particular, nos estuários do Sena, em França, e do São Lourenço, no Quebeque, onde os nano e microplásticos estão agora presentes na água, nos sedimentos e nos organismos vivos. O objetivo é compreender melhor o seu destino e os seus efeitos nos ecossistemas aquáticos. Para tal, os investigadores estudam um pequeno crustáceo do zooplâncton, o Eurytemora affinis, uma espécie essencial para o funcionamento da cadeia alimentar. Ao alimentar-se, este copépode pode ingerir nano e microplásticos, que podem depois ser transferidos para peixes e outros predadores. Os trabalhos terão como objetivo inicial medir a contaminação dos dois estuários ao longo das estações do ano. Experiências em laboratório permitirão, posteriormente, avaliar os efeitos combinados dos microplásticos e das alterações climáticas no desenvolvimento, crescimento, comportamento e sobrevivência dos copépodes jovens. Os investigadores procurarão também determinar se o aumento das temperaturas favorece a acumulação destas partículas nos seus organismos. Por fim, a comparação entre as populações francesas e quebequenses permitirá saber se estas reagem de forma diferente perante estas pressões ambientais.
Para além da aquisição de novos conhecimentos científicos, esta tese contribuirá para uma melhor compreensão das consequências da poluição por plástico nos ambientes estuarinos e na biodiversidade aquática. Proporcionará igualmente informações valiosas para melhorar a monitorização destes ecossistemas e antecipar os efeitos combinados das atividades humanas e das alterações climáticas.
Resumo do projeto PLASTISENSE, atualmente em fase de avaliação:
O PLASTISENSE é um projeto interdisciplinar que explora os impactos dos micro e nanoplásticos nos ecossistemas estuarinos, considerando estas partículas não mais como meros contaminantes, mas como verdadeiros agentes ecológicos capazes de alterar as interações entre os organismos. Para além dos seus avanços científicos em ecotoxicologia, microbiologia e ecologia evolutiva, o projeto coloca a sociedade no centro da sua abordagem, graças a uma abordagem integrada de ciências participativas e de mediação científica. Os cidadãos serão envolvidos na recolha de plásticos no litoral da Normandia, contribuindo diretamente para a produção de conhecimento sobre contaminações ambientais reais. Os estudantes participarão igualmente nas diferentes etapas de valorização do projeto, promovendo o intercâmbio entre investigação, ensino e sociedade. Por fim, a arte constitui um importante instrumento de comunicação, traduzindo os dados científicos provenientes da bioimagem e da genómica em experiências visuais e sensoriais. Esta abordagem «Arte & Ciência» permitirá tornar percetível uma poluição invisível, suscitar a emoção como motor de compreensão e incentivar a apropriação, por parte dos cidadãos, das questões relacionadas com os microplásticos. Ao associar investigação de ponta, criação artística e participação do público, o PLASTISENSE propõe uma nova forma de divulgar os conhecimentos científicos e de reforçar o diálogo entre investigadores, cidadãos e territórios.
Joëlle Forget-Leray
Joëlle Forget-Leray é professora de ecotoxicologia na Universidade Le Havre Normandie, no laboratório denominado «Estresse Ambiental e Biomonitorização dos Meios Aquáticos», onde dedica a sua investigação à compreensão dos ecossistemas aquáticos face às pressões ambientais. Através do estudo dos copépodes, minúsculos crustáceos que atuam como sentinelas dos meios aquáticos, desenvolve ferramentas inovadoras de biomonitorização destinadas a avaliar melhor a qualidade das águas e a apoiar as políticas públicas de proteção do ambiente. Cientista empenhada, alia a excelência académica à coordenação de grandes projetos nacionais e europeus e a responsabilidades institucionais ao serviço da investigação. Convencida de que a ciência deve dialogar com a sociedade, dedica-se há muitos anos à mediação científica junto dos cidadãos, dos alunos e dos decisores, em torno das questões relacionadas com a poluição, as alterações climáticas e a preservação dos oceanos. O seu percurso ilustra uma mesma ambição: tornar a investigação uma alavanca de conhecimento, de ação e de transição ecológica.
Céleste Mouth
Céleste Mouth é doutoranda em ecotoxicologia no laboratório SEBIO da Universidade Le Havre Normandie. Originária da Grécia, cresceu à beira do Mar Egeu, um ambiente que despertou muito cedo o seu interesse pelos meios aquáticos e pela sua vulnerabilidade face às alterações ambientais. A sua investigação centra-se na contaminação por micro e nanoplásticos em dois estuários transatlânticos: o Sena (França) e o São Lourenço (Quebeque). Interessa-se, em particular, pelas consequências de uma exposição precoce e multigeracional a estes poluentes no copépode Eurytemora affinis, um pequeno crustáceo que desempenha um papel importante nos ecossistemas estuarinos.

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