Quando era criança, costumava ver os pés descalços e gretados da minha mãe… - Mouna Ahizoune
Uma performance física e poética que explora a memória do corpo, a herança materna e o peso silencioso do trauma. Através de gestos simbólicos, monólogos fragmentados e rituais íntimos com a pedra, a água e o tecido, aborda temas como a dor, a resiliência e a transformação. Aliando a narrativa pessoal e a emoção coletiva, a peça torna-se um espaço onde a memória e a beleza trágica do corpo se entrelaçam.
«A memória é uma fonte de inspiração para muitos artistas, pois permite-lhes recorrer às suas recordações, experiências pessoais e emoções para criar obras que podem despertar sentimentos adormecidos no espectador, ou talvez não provocar nada de todo. A memória do corpo é individual e parcial; são momentos das nossas vidas que ocupam um espaço na paisagem interior do corpo. (…) Percebi mais tarde que a dor é a única coisa que justifica a minha existência e me lembra que estou viva neste mundo caótico. Há uma estranha atração pelo sofrimento, quando nos encontramos de pé na escuridão, sem saber onde estamos, querendo gritar mas incapazes de o fazer, sem nada a que nos agarrarmos. Agarramo-nos a essa escuridão e deixamo-nos engolir por ela, mesmo que pareça como tentar agarrar o vento com as mãos nuas (…).»
Mouna Ahizoune, sediada em Marrocos, é uma das artistas participantes no programa de residências cruzadas no Mediterrâneo. Selecionada por Laila Hida, realizou uma residência de um mês no ATOPOS CVC Office of Hydrocommons. No âmbito do festival Art Explora, no Pireu, na Grécia, realizou a sua performance «When I was a child, I used to see my mother’s feet bare and cracked…». Ouça abaixo a leitura do texto da performance, em inglês e darija.
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