Barco-Museu
Canção da Água
«Song of Water» é uma exposição que presta homenagem ao oceano, à memória da vida que ele abriga e à diversidade das criaturas que o habitam. «Song of Water» inspira-se no poder evocativo desta imensa paisagem sonora, onde cada espécie, cada corrente, cada respiração compõem um único canto da vida. Sob a forma de uma viagem, convida menos a contemplar os oceanos do que a ouvi-los, e mergulha os visitantes nas profundezas do mar, entre a arte e a ciência.

UM CANTO DA VIDA
Os oceanos são o berço da vida. Moldados por dezenas de milhões de anos de evolução, abrigam um mundo de uma riqueza inigualável, desde organismos invisíveis a olho nu até às criaturas das profundezas. Todos contam a mesma história, antiga e contínua, que, desde sempre, alimenta tanto a ciência como a imaginação dos artistas.
«Song of Water» convida-nos a redescobrir essa memória mergulhando nos fundos do mar. Encontramos lá o peixe, desde espécimes fossilizados até às obras de Picasso ou Hiroshi Sugimoto, testemunho de uma história da vida que atravessa as épocas; a concha, que sussurra as origens da vida e a lentidão do tempo; e, na fronteira entre a arte e a ciência, mundos estranhos vindos dos abismos, onde a investigação se une ao sonho.
Mas o oceano não se limita a ser contemplado, também se ouve: porque o som nele viaja mais depressa e mais longe do que no ar, cada espécie, cada corrente, cada respiração compõe um único canto da vida. E perante as perturbações ecológicas, os artistas questionam tanto a sua fragilidade como a sua surpreendente capacidade de regeneração.
Ao longo desta travessia, «Song of Water» convida menos a contemplar os oceanos do que a ouvi-los, não como um cenário distante, mas como uma memória viva onde se misturam ciência e mito, e onde a água continua a transportar as histórias da vida e as promessas das suas metamorfoses.

Placa-mãe n.º 19, 2020-2023 © Hicham Berrada, Adagp, Paris, 2026. Fotografia. Arquivos Mennour

Max Hooper Schneider, The Benthos, Parte 1: Creatures of Twilight, 2024, Vídeo: 58 min 3 seg, Por gentil autorização do artista e de François Ghebaly, Los Angeles, Nova Iorque
as colaborações
Esta exposição reúne vinte e três artistas internacionais, históricos e contemporâneos, de dezassete nacionalidades e de cinco continentes, que têm em comum o facto de terem encontrado no oceano uma fonte inesgotável de inspiração.
Os artistas apresentados na exposição «Song of Water »: Jean-Marie Appriou, Hicham Berrada, Katinka Bock, Alex Cecchetti, Ernst Haeckel, Taloi Havini, Michael Heizer, Max Hooper Schneider, Nadia Huggins, Joan Jonas, Oyjon Khayrullaeva, Harumi Klossowska de Rola, Robert Longo, Ad Minoliti, Josèfa Ntjam, Jean Painlevé, Pablo Picasso, Laure Prouvost, Emilija Škarnulytė, Hiroshi Sugimoto, Lara Tabet, Charwei Tsai, Anicka Yi.
«Song of Water» é também fruto de colaborações com grandes instituições. O Museu Nacional de História Natural, em Paris, empresta para a ocasião oito conjuntos de peças paleontológicas, com vários milhões de anos, algumas das quais reveladas ao público pela primeira vez.
O Museu de História Natural de Le Havre, que conserva as gravuras originais de Ernst Haeckel, empresta cinco das suas gravuras, nas quais o rigor do cientista se alia à beleza do desenho.
Por fim, a Fundação TBA21 – Thyssen-Bornemisza Art Contemporary associa-se à exposição, através do empréstimo de obras e da colaboração em produções concebidas especialmente para o navio.

A curadora da exposição
Blanche de Lestrange é Diretora Artística da Fundação Art Explora desde 2020. É responsável por definir as grandes orientações artísticas dos diversos projetos da fundação e coordena, nomeadamente, a programação do Festival Art Explora no Mediterrâneo, as residências artísticas em França na Cité internationale des arts e o seu desenvolvimento a nível internacional, bem como a exposição inaugural no Hangar Y. Anteriormente, foi diretora adjunta da FIAC, onde se encarregou da programação artística durante dez anos. Blanche é também cofundadora da associação «Thanks for Nothing», que estabelece laços entre o mundo da arte e o mundo associativo.

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